Amanda Montt | Bossa e Brisa







Amanda Montt
02/03/2015

ressacar

acordada que ainda já
que já que
já que ainda
temos muita ressaca pra viver
e eu corri com ela junto do mar
cheios de olheiras fundas de recordar
(maresia pesada de quem não vive no litoral)
grandes são os erros
e as medidas já tomadas
cometido, cometeu, com quem seja
mas, ah, como queria
como queria desfazer
e agora mesmo, para poder fazer três vezes pior
sem freio de culpa
são erros, não escravos
são reflexos, instantâneos
defensivos
e minha defesa mesmo é evitar proximidade
porque permiti-la seria suicídio, no meu caso
garota perdida que acha perfeito não ter nada a dizer
nada a esclarecer
e sempre sem fôlego para responder
sem ter quem responder.

Amanda Montt
Por: Amanda Montt


27/02/2015

prateleiras xiofana

(cantinho da Xiofanna, um dos mais sensacionais do mundo)

Usar bem as paredes é uma forma de otimizar espaço com louvor. Vulgo bonito sem ficar no seu caminho. Ou seja: tralha na mesa? Bota numa prateleira logo! A nossa tendência é lotar demais uma mesa, escrivaninha ou o que for. Esvaziar essa área mais ao nosso alcance alivia os olhos (e para a limpeza, lógico). Não necessariamente tirar tudo da sua frente, mas pelo menos equilibrar usando outros espaços. Então faça uns furos na paredes e veja como dar uma harmonizada no ambiente com prateleiras.

prateleiras são legais sim

Sabe aqueles cacarecos de viagem que a gente acaba trazendo sempre? Você vai para o nordeste e traz garrafinhas com desenhos de areia. Para Paris e compra uma torre eiffel. Ou um globo de neve. Artesanato, bugiganga, souvenir, lembrancinha, miniatura. Provavelmente você já guardou os menos bonitinhos em uma caixa, então que tal deixar os outros expostos na parede? Pode misturar com fotos de viagem reveladas, por exemplo.

E também com coleções, ou raridades, ou qualquer coisa que você comprou sem algum fim. Por exemplo, uma xícara de porcelana bonitinha, uma coleção de bonecas matrioskas, um mini fusca amarelo, letras brancas gigantes, um vaso africano ou um relógio turquesa, hahahaha. Pegue coisas sem muita função (minhas favoritas :P) e coloque no meio.

Coisas úteis também podem entrar. Uma luminária, câmera, cofre, porta joias, caixas… A disposição delas (mais distante para as menos importantes) fica por sua conta.

 Arte sua, arte de presente, arte de rua. Pegue seus desenhos ou fotografias e coloque em uma moldura. Imprima imagens e pôsteres também. Molduras ficam incríveis ‘recostadas’ num canto, e podem ficar apoiadas na parede no alto sem estar penduradas. O mesmo vale, por exemplo, para um vinil que tem uma capa legal.

Garrafas são um amorzão da decoração. Assim como copos, canecas, xícaras… Você pode colocá-las vazias, pintadas, com flores dentro, guardando lápis ou outras bugigangas menores. Sacolas de compra bonitinhas também são bem vindas! No meu quarto, uma da clinique expõe duas pelúcias pequenas, hahahaha.

 Livros são história antiga em prateleiras. Deitados ou em pé, classificados por tamanho, por cor, por autor ou como quiser. O mesmo vale para revistas, cds ou dvds, por exemplo.

Plantas (cactos! <3) não são lá uma ideia muito nova também. Mas é legal ter uma suculenta ou uma flor de plástico dando um ~toque de verde~ (mesmo de mentira, hahahaha) no ambiente. Podem ficar no próprio vasinho (simples ou decorado), em garrafas, xícaras…

O mais legal para mim é misturar tudo. Deixar um pouco de cada ‘tipo de tralha’ em várias, sem deixar nada com cara de ‘temático’. Mostrar a diversidade do seu quarto, gostos, vida, enfim.

Sem falar que você pode ‘inovar’ já na prateleira. Em vez da tradicional de madeira, uma de vidro, ou ‘feita de livro’, de caixas, malas, molduras… Coisas que você mesmo pode fazer.

Gostaram das dicas? Você tem prateleiras? O que coloca nelas?

Amanda Montt
Por: Amanda Montt


25/02/2015

crespa

Eu lembro da primeira vez que pranchei meu cabelo. Fui no salão e saí com meus fios loiros e longos lisos. Me senti incrível com o vento batendo e os fios chapados esvoaçando por aí. E demorou muuuuuuito tempo até eu ver um problema nisso.

Minha convivência sempre foi predominantemente lisa. Estava acostumada a ‘só’ ver cabelos lisos e compridos em todo lugar que ia. E como toda influência começa com um tapa do meio, o meio me deu vários tapas. Seja na forma de sugestões (“Por que você não faz uma progressiva?” “Liso realça a cor do seu cabelo, devia usar mais!”) ou elogios (“Pranchou, que linda!”, “Parece mais hidratado!”), desde pequena fui ouvindo e ficando com essa ideia na cabeça. Olha que legal, com cabelo liso posso passar os dedos que não tem nós! Ele brilha mais! Ele fica mais macio! Muita coisa que eu achava que eram ‘um máximo’ (aka ‘alguém disse que era e eu reproduzia’), nem eram verdade, mas ficava tão iludida que botava um filtro-vscocam nos olhos e pronto. Ficava mesmo muito melhor liso. Por que não nasci lisa? Por que nem penteando seco ele ficava liso?

No ensino médio, só duas meninas usavam cabelo cacheado na minha sala. Eu e mais uma. Essa uma, inclusive, pranchava frequentemente. Algumas se preocupavam muito em parecer naturalmente lisas que gastavam mais em química do que em um computador novo, por exemplo. É normal, infelizmente. Porque numa fase de tanta influência da mídia (revistas, blogs, sites, séries, filmes…), quem pode dizer que cacheado é bom o suficiente se mal é citado? Uma ou outra atriz, uma modelo com cacho de babyliss. É tanto liso, penteado pra liso, dicas pra liso – e até  rebaixar e dificultar o uso do cacho, que é mais ressecado, mais rebelde, mais armado. Ai, gente. 200 reais por mês no salão pra mim é tão mais complicado do que comprar um musse.

(É claro que quando mais cacheado/crespo, mais fácil ressecar e mais difícil cuidar, mas não superestima demais os cuidados, né?)

 Agora, quando vejo fotos do meu cabelo pranchado, sinto um tipo de nojo. Frustração. Me acho muito achatada e estranha. E sem identidade, sabe? Uma característica que exalto tanto hoje sendo tão reprimida, tão intimidada. Tão tímida.

Fora a bolha imaginária de regras para se manter os cachos, caso você não ceda à química. Cabelo cacheado não pode ser curto. Cabelo cacheado não usa penteado. Cabelo cacheado não pode ser tingido. Cabelo cacheado exige três horas de cuidado para ficar ‘aceitável’. NÃO! N-Ã-O! Cachos podem ser tudo. Não existe restrição estética por textura de cabelo. Liso, ondulado, cacheado, crespo. Se quiser tosar, pintar de rosa, fazer tererê na praia, não importa!

Até hoje sempre ouço no salão quando preciso ir. “Ah, seu corte ia ficar lindo liso, mas você não quer…”. “Esse loiro ia ficar muito melhor com uma progressiva”. “Se fosse minha filha, já estava com ele lisinho e macio!”. NÃO! NÃO! NÃO! Não vou pranchar pra casa, pra faculdade, pra festa, pra formatura, pra show, pra casamento e nem por ninguém. Não prancho por família, não prancho por amigo, namorado, marido, sogra e por “opinião de profissional”. E vocês, que são família, amigos, namorado ou cabeleireiro de uma cacheada: não incentive-a a mudar ‘para o mais fácil’. Para o mais aceitável.  Todo mundo já fala isso, e só agora resolveram amar mais os miojos capilares. É difícil pra muita gente abandonar a química e ousar no cacho, e principalmente para quem está em transição. Não piore a situação.

Claro que você não vai crucificar uma menina por querer alisar o cabelo. Se ela não odeia os cachos (pelos motivos citados) e quer variar, quer fazer um penteado específico, quer testar, qual o problema? Esse é o legal do cabelo cacheado. Cachos já são cachos, mas se quiser, podem ser ondas ou lisos. São maleáveis. Se enjoar, só mudar. E voltar quantas vezes quiser. Podem ficar mais soltinhos ou menores, se quiser. Podem disfarçar manchas na cor. E não existe babyliss ou frisador que faça um bom cacho na sua cabeça.

Eu olho para meu cabelo e vejo movimento. Vejo uma forma que nunca é fixa. Vejo uma infinidade de possibilidades para usar. Só não é tão fácil quanto o liso para pesquisar inspirações, mas de resto? Uma hidratação aqui, dois produtos, secar naturalmente. Pronto. Tô ótima, tô feliz. Foi rápido. Pode ser que você leve mais ou menos tempo e isso depende do seu gosto.

Enquanto eu queria a todo custo um liso antigamente, agora estou caçando mais cachinhos. Meu cabelo se perdeu um pouco com o comprimento e tá mais pra 3A do que o antigo B (você classifica cachos em ondulado -2- cacheado -3- e crespo -4- e a/b/c – olha aqui;).

Portanto, não ria de uma ‘vassoura crespa’, um ‘black power’, uma cacheada. Só admire a coragem de ir contra à “ditadura lisa” e aguentar muito dedão, risada e ‘opinião’. Não é obrigado a amar e adotar para você, mas não tente obrigar a outra a se render ao liso. ♡

Amanda Montt
Por: Amanda Montt